Não faltou nada


Se você está atrás de um romance diferente, ousado, inusitado e engraçado, não devolva Só faltou o título à prateleira. Leve-o para casa. Garanto que você não vai conseguir largá-lo até a ousadia final. Mergulhe no texto como se ele fosse um romance policial. Há aqui um crime e uma investigação. Não ficam de fora as testemunhas, a polícia e um julgamento. Só que não é só isso. Há um narrador mal humorado, distribuindo verdades para quem detesta ouvi-las: os donos do poder da literatura brasileira contemporânea. Do livro policial inusitado passamos assim para a discussão literária. A franqueza do narrador espanta, mas dá força à crítica. Nem ele mesmo se salva.

Só faltou o título ultrapassa todos os limites. Não se encaixa em um gênero bem definido, desrespeita as regras do decoro e da boa convivência entre as personagens ou, mais além, os colegas escritores, não deixa o tempo inteiro de relativizar as próprias possibilidades e, como se fosse pouco, ainda demonstra a habilidade do autor manejar inúmeros recursos diferentes. A literatura brasileira nunca abriu muito espaço para o expressionismo e a intensidade linguística que ele cria. Mais uma novidade desse livro diferente. A propósito, o título é bem apropriado: ao final da leitura, parece que não falta nada para estarmos diante da melhor literatura. É assim que chamamos esse tipo de livro...

(imagem: Catedral, por Paulo Climachauska)

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Só faltou o título

Reginaldo Pujol Filho

Editora: Record

Páginas: 322

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