(super)Mercado Frankfurt II – recepção


13 de outubro de 2015, 23 horas

A feira começou hoje com a abertura e a apresentação do país homenageado, a Indonésia. Quem viu disse que não houve nada demais. No ano passado, o tal homenageado foi a Finlândia: adoro os livros da Sofi Oksanen (quem publica no Brasil é a Record), que fez o discurso de abertura. Já pela Indonésia, por razões evidentes, não tenho a menor simpatia e, portanto, não fiz questão de ir.

Hoje almoçamos com o pessoal que promove a literatura brasileira aqui na Alemanha. Pelo que entendi, há um programa de apoio vindo do governo alemão que financia traduções. Obviamente, é muito disputado. Por parte do Brasil, parece que tudo é muito precário.

Um dos alemães explicou o que todo mundo sabe: por aqui circula sobretudo literatura europeia e norte-americana. Não é novidade, mas o ouvindo falar parece ainda mais estranho. Não tenho uma região de preferência para os livros que me interessam: não prefiro a Argentina à Alemanha, ou os Estados Unidos ao Japão. Estamos o tempo inteiro lutando contra a linguagem e a forma me parece a mesma solidão. Talvez isso venha da ilusão européia de representar algum tipo de centro. Acho que foi o José Donoso que falou que os franceses pensam ter o monopólio do nouveau roman...

Esse não é evidentemente o pensamento dos alemães que nos acompanham. Eles não pensam de uma forma essencialista: apenas parecem ter claro o panorama daqui. Estamos sendo de fato extremamente bem tratados. Tudo é muito organizado, feito com eficiência e gentileza. Depois do almoço, fui com a Noemi Jaffe e o Fernando Bonassi a um museu voltado para a arte contemporânea muito próximo a um antigo teatro romano no centro de Frankfurt. As ruínas não estão mais à vista, já que a especulação imobiliária está construindo alguma coisa por cima. Tudo em Frankfurt transpira dinheiro, e não é pouco. Quando passei por baixo do símbolo do Euro, senti um pequeno arrepio: foi por causa dele que humilharam a Grécia.

O museu estava com metade do acervo fechado para visitas, já que uma nova exposição vai ser aberta na sexta-feira. Acabei me frustrando um pouco e voltei mais cedo para o hotel: na verdade, estava ansioso para falar com a minha namorada e o meu filho pelo Skype. A propósito, andar com a Noemi e o Bonassi é bom, pois os dois são pais experientes e me explicam que essa saudade não apenas é normal, como não vai mesmo mais passar...

Para não ficar monotemático – como diários são chatos! – vou falar de outra pessoa do nosso grupo, o Luis Krausz. Se não leram ainda nada dele, corram atrás da ficção ou das traduções. É um professor de hebraico da USP, neto de austríacos, com uma bagagem cultural impressionante. No jantar, depois de explicar a origem da palavra “caso” (é a mesma de “cair”), ele esclareceu a tal história dos vistos que Guimarães Rosa conseguiu para uma série de judeus que estavam começando a ser perseguidos aqui na Alemanha, mais especificamente em Hamburgo. Na verdade, o autor de Grande sertão: veredas levou a fama da mulher (àquela altura sua namorada), a Aracy. Era ela quem colocava os pedidos no meio da papelada do cônsul, que assinava tudo sem conferir.

Na imagem, uma parte do grupo. A foto é da Raquel Menezes, presidente da Libre. E uma boa noite a nós tudo, para vocês no Brasil é bom dia!

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